2.12.09

Sons do Natal

Gosto do Natal!
Não sou uma consumista do tipo obsessivo-compulsivo, mas acabo nesta época por dar sempre um passo maior que a perna (não é muito difícil, tendo em conta o meu tamanho e o foguete com que sempre me desloco).
Mas o que me faz tiritar de contente são as melodias que acompanham esta quadra e até me arrepio ao trautear os Wham e o seu idiota:

Last Christmas, I gave you my heart
But the very next day, You gave it away
This year, to save me from tears
I'll give it to someone special

Um facto que não engrandece, não prestigia e não abona a favor de uma rapariga esperta.
O que me irrita é o hipotético bon chic, bon genre que consiste na escolha para animar as consoadas de canções tradicionais cantadas pelo meu dilecto Sinatra ou pelo meu elegantíssimo Bing Crosby. Sei que não há nada que se compare ao charme discreto destes queridos, mas estes senhores melam-me a quadra e provocam-me uma tristeza pouco compatível com o meu temperamento. Ao ouvi-los fico extenuada e a pensar que não mereço presentes porque me portei como uma menina má, péssima, horrenda e capaz de fazer com que o Pai-Natal entre em coma desgostosa.
No Natal quero poder ser ridícula, dançar ao som de idiotices e cantarolar as mais destravadas e pirosas cançonetas disponíveis no mercado, apenas vestida com um baby-doll de veludo encarnado debruado a arminho, meias grossas de lã branca maciérrima, com um gorro que termine em dois metafóricos pompons traquinas e com flocos de neve a tombar como pano de fundo.
Só assim vestida e calçada poderei saltar por toda a casa ao som desta maravilhosa inutilidade:


26.11.09

Posicionamentos

Suspeito que acrescentei uma nova posição às descritas no Kama Sutra!
A descrição é simples e não sinto necessidade de falar de Lingas ou coisa que o valha, porque nestes casos sou como o meu querido Petrovsky: muito corriqueira e contas-correntes.
O homem, de preferência grande, por depilar e com barba de dois dias, deita-se nu sobre o corpo frágil e etéreo da mulher, de preferência depilada, pousa as duas másculas manápulas em concha nos seios arfantes da rapariga e diz-lhe em êxtase:
- As tuas maminhas são tão parecidas com as da Mimi, a japonesa da contabilidade.
Deverá depois aguentar esta posição no máximo oito segundos.

25.11.09

Estrelas e rodelinhas

Conta uma amiga minha, absolutamente suspeita e tida como usurpadora de histórias que correm por todo o lado, que sobre ela se abateu a mais trágica das vergonhas e a mais dolorosa das humilhações.
Segundo o que me foi contado, tinha ela marcação no ginecologista para determinada hora. Preparava-se mentalmente, com algumas horas de antecedência, para sofrer a vistoria desagradável do costume, quando lhe foi comunicado pelo telefone que a hora marcada tinha sofrido uma alteração drástica e que o médico a consultaria, se tal fosse conveniente, naquele mesmo instante. Bastava para isso uma corridinha. A alternativa era nova marcação quinze dias depois.
A querida não querendo perder uma marcação difícil e passar por novo período de espera deprimente, aceitou.
Arranca a filha da cama, veste a filha, dá o pequeno-almoço à filha, avisa o paspalho do marido que nem dá por isso e disposta a tudo, entra no WC para se arranjar. Não há tempo para um duche profundo e seguro e a rapariga apressadíssima agarra num toalhete perfumado pousado milagrosamente no lavatório e passa-o por onde já passaram outras coisas bem menos flexíveis e quiçá menos aromáticas.
De pernas abertas, já no consultório, a esforçar-se por pensar estar numa ilha paradisíaca sem ninguém a espreitar aquilo que meio mundo já viu tendo em conta o entusiasmo da minha querida amiga. Ouve a voz melodiosa do senhor doutor que lhe diz:
- Vejo que primou! Está hoje particularmente interessante.
Ignora. Não quer pensar a não ser nas ilhas do paraíso e numa rede presa nas palmeiras.
Chegada a casa, depois do papanicolau da praxe, encontra a filha de cinco anos chorosa a suplicar um toalhete perfumado. A pobre mãe mal refeita da abertura forçada das pernocas, indica-lhe o lugar onde estão guardados os malditos. A criança debate-se. Não quer um toalhete qualquer. Quer aquele que tinha deixado no lavatório na noite anterior e que tinha servido para guardar as dezenas de estrelinhas brilhantes e as minúsculas rodinhas psicadélicas.

15.9.09

Duplo prazer

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Ao desfolhar uma revista no meu cabeleireiro, um rapaz absolutamente gay, como manda a sapatilha, diria a minha santa avó, e sem muito que fazer ao meu cabelo já que o uso curto e despenteado, deparo com uma fotografia de moda onde duas gémeas se abraçam e acariciam sem propósitos nenhuns (diria a mesma avó que era uma santa) perante o olhar esfomeado de um quarentão muito apelativo.
Ponho-me a pensar.
Se naquela fotografia fossem substituídas as gémeas esqueléticas por um par de gémeos observados por uma mulher madura e libidinosa, depressa haveria gente com ambições de beatificação que a consideraria uma porcaria escabrosa.
Uma rapariga esperta não dá valor a estes julgamentos precipitados.
Confesso que sempre foi uma das minhas fantasias eróticas mais protegidas e acarinhadas ter na frente (e atrás) dois garbosos gémeos verdadeiros para depois obrigar a dupla a acariciar-se como se o amanhã não existisse.
Uma miúda esperta sabe exigir o seu quinhão de felicidade em dose dupla ou o seu par de quinhões, já que falamos em gémeos.

14.9.09

tansos e burkas

Está decidido. A esmagadora maioria dos homens que conheço são uns tansos.
Não abdico desta norma que me chega de um saber feito de experiência e comprovada pela observação científica do pateta que tenho ao lado que acaba de afirmar, cheio de convicção, que se todas as mulheres fossem sexualmente mais agressivas, ninguém lhes conseguiria enfiar uma burka.
Uma tolice!
Não imagina o pobre como é eficaz um ataque sexual desferido por uma rapariga esperta embrulhada e coberta, por exemplo, por uma toga romana com abertura dificultada pelas mil dobras aveludadas do tecido.
A burka é apenas uma agressão que de sexual tem somente o olhar dos tansos.

11.9.09

Da Escócia com amor

Um recente estudo de uma Universidade escocesa prova por A mais B, coadjuvados pelo C, que as mulheres preferem os homens que fisicamente se parecem mais com elas, mais femininos e e aparentemente mais seguros e desconfiam dos opostos, ou seja, não acreditam em rapazes com traços demasiadamente masculinos.
Da Escócia chegam-me os Kilts. Confesso que abençoo por isso os escoceses, mas coloco entraves ao estudo publicado. Não fui tida nem achada no processo que levou a concluir a estes dados, mas não acredito que algum dia me possa sentir perdida de amores por um pequenino, magrinho, com ar de gazela perdida, ágil como um acrobata, com olhos de bambi pestanudo, uma boca capaz de proezas inimagináveis e com uma tendência mórbida a gostar de bolos encharcados em creme.
O estudo escocês pode ter estar baseado em factos que uma rapariga simples desconhece, mas ninguém me tira um matulão, com maxilares quadrados e violentos, capaz de nos entregar o céu com as mãos peludas e bem grandes.
São homens que nos causam problemas impensáveis, mas quem é a rapariga esperta que não gosta de um másculo problema bem desperto?!

7.9.09

Objectividade

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Sejamos objectivas:
Um homem charmoso pode perfeitamente ter mais de uma centena de anos, desde que os comemore ao volante de um Bentley.
Há um certo tipo de charme que só é encontrado na carteira.

31.8.09

Um facto de fato

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Enquanto que o calor que se faz sentir favorece as raparigas espertas que sabem tirar partido dos tecidos que esvoaçam e se transformam em pequenas ninfas suadas, a saltitar de perfume em perfume, é altamente lesivo para os homens que estão obrigados pelas convenções a usar um fato.
Um fato, mesmo um de linho charmoso e ligeiramente amarrotado, no meio do calor é um teste implacável à capacidade criativa de quem o usa, porque implica sempre uma adaptação, uma reformulação, do conceito de clássico e até mesmo do discreto, que nem todos os homens são capazes de operar.
Uma rapariga esperta jamais colocará no rol dos elegíveis um homem que se empacota e se asfixia num fato que o faz resfolegar e se aproxima da apoplexia com uma gravata que, por muito Armani que seja, não o faz parecer o cartaz da colecção de Verão do criador.
Há que desmanchar, desestruturar e reformular.
Excitam-me sempre os homens que usam fatos e T-shirts e se apresentam com um convite para jantar num restaurante que nos comeria numa noite, se fossemos nós a pagar a conta, a verba destinada a dias difíceis (a esses também, porque uma rapariga atravessa essas ocasiões deprimentes com visitas programadas a todas as lojas do centro de Paris) com sandálias de couro fino (assinadas ou não, que isto de ultrapassar as marcas sempre foi difícil para os rapazes), fato perfeito de corte impecável e cor indefinida de tão cara.
São homens que sabem desmanchar a rigidez de uma convenção e se transformam em charme puro e duro, capaz de amolecer uma pobre e indefesa rapariga que de pura tem apenas o que se lembrar de ter na ocasião.

28.8.09

Viciante. Eu?!

Uma rapariga esperta e com um allure parisiense que arrasa qualquer outro perfume, sabe fazer-se esperar, sobretudo quando tem de dizer obrigado.
É excitante e provoca alguma ressonância interior que não convém dizer aqui por ser verdade (diria o cronista do Reino que já lá vai) sussurrar ao ouvido do homem que espera durante duas horas que retoquemos o batôn:
Obrigado por ter esperado. É já um prémio saber-me tão querida.
Der terrorist, um blog que sigo como uma parisiense segue a moda (uma parisiense e não uma portuguesa, que sempre me pareceu que a seguia de forma canina) teve a gentileza de me considerar um “blog viciante”. Imaginem a tontice.
Sou uma rapariga sem pretensões, que adora o ”inimigo” e apesar de não ser de todo sua intenção fornecer pistas para que o “adversário” tente inutilmente vencer a equipa no poder, gosta de se divertir com novelos de pêlo, como uma boa gatinha que nunca vai deixar de ser.

(Meu querido Der terrorist, não publico o selo atribuído por ser uma coisa macabra e maçadora, mas pouso em si um beijo meu. Não adormece nunca, embora por vezes emagreça bastante aquele que é beijado.)

20.8.09

Artic dream

Para uma rapariga fútil como eu, Artic Sea significa apenas um romântico nome de navio, capaz de provocar inúmeras fantasias que descritas fariam corar eternamente a minha santa avó.
Saber que a tripulação era russa não ajuda em nada a minha compostura. Informarem-me que toda ela foi sequestrada provoca-me arrepios pouco recomendáveis.
Retiro sempre o refugo a estas coisas e acabo por imaginar o que convém: um bando de jovens friorentos, másculos, com barba de dois dias, altos e espadaúdos, inocentes, amedrontados, pálidos e carentes, que não dizem coisa que se perceba, desesperados por um carinho de um colo como o meu, inunda-me de felicidade (sejamos comedidas).
Por outro lado saber que há piratas, daqueles com colares de conchas, cabelos negros presos por fitas de veludo e fatos esfarrapados, muito Galliano (não interessa nada que a realidade não corresponda ao sonho) faz com que me apeteça navegar pelo mar dentro, mesmo com um carregamento de madeira, sem um pingo de sedução, às costas.
Uma rapariga fútil é assim. Levanta-se e sonha ser pirata de concha ao pescoço e ter toda uma tripulação de russos giros sequestrados na despensa.
O casco do navio pode ficar para os homens.

27.7.09

Latinices saloias

Não gosto de futebol, mas em contrapartida adoro futebolistas. É agradável ter por perto um rapaz musculado e vigoroso sem necessidade nenhuma de estar atenta ao que ele diz, porque sabemos de antemão que, salvo raríssimas excepções, não dirá nada que valha a pena ouvir.
Mas não posso deixar de lamentar a imprensa portuguesa que vai transformando o Cristiano Ronaldo numa actualização do Zezé Camarinha.
A continuar assim, não haverá Vitória que o salve.

24.7.09

O blog da semana é...

Do meu querido Petrovsky!

20.7.09

Odeio...

... mulheres gordas, rentes ao soalho, com cabeleiras ossificadas e que usam tailleurs demasiados justos. Provocam-me urticária. Aproximam-me dos abismos da fúria cega e assassina. Sobretudo aquelas que usam um broche na lapela (um sítio onde é desagradável ver um broche) e nos olham depois com aquele ar de quem não mexe uma palha... ou uma pila.

19.7.09

É científico!

Acabo de ler uma excelente notícia:
Do ouvido,da visão, da memória e de todas as nossas faculdades, a última a deixar-nos é o desejo sexual e a capacidade de fazer amor.
Isto significa que, muito depois de comerçarmos a usar óculos bifocais e aparelho auditivo, ainda fazemos amor, embora sem sabermos com quem! - O que para uma rapariga esperta é um pormenor sem importância absolutamente nenhuma.

14.7.09

Lembrete

Nunca deixar um homem dormir connosco a noite inteira.
Podem ter sido formidáveis as horas que passaram, mas é aterrador acordar na manhã seguinte e apanhar com ele a coçar o rabo enquanto regula a temperatura do duche.